Nascido em 1785 em Cabo Verde, o retratista Simplício João o levou de Portugal ao Império Brasileiro, onde foi pintor do imperador D. Pedro I, professor dos seus filhos, e onde morreu, cego, com cinquenta e quatro anos. Foi talvez um dos mais importantes artistas do mundo luso na técnica da miniatura. Esta modalidade de pintura, importante meio de preservação da memória familiar, mas também de afirmação política e de transmissão de modelos pictóricos, perdeu protagonismo a partir do advento das técnicas fotográficas. Simplício, como assinava, é hoje pouco conhecido – e apenas como mais um discípulo do pintor Jean Baptiste Debret (1768-1848). Chegara, contudo, ao Rio de Janeiro em 1812, quatro anos antes dos artistas da chamada “missão francesa”, que este seu “mestre” integrava…

A sua obra, há muito dispersa, caiu no esquecimento. Para recuperar a sua trajetória e localizar os seus trabalhos sobre tela e em miniatura, tendo em vista uma pequena biografia a publicar em 2020, a investigadora Patrícia Telles tem vindo a recorrer às reservas de pelo menos seis museus e duas instituições religiosas, no Brasil,  Portugal e Argentina.

 

Patricia Delayti Telles, bolseira de pós-doutoramento pela FCT, é investigadora do CEAACP (Universidade de Coimbra) e do CHAIA (Universidade de Évora). Doutora em História da Arte, especializada na pintura de retrato dos finais do século XVIII ao início do XIX, recebeu, em 2011, o Dahesh Museum Prize da Association of Historians of Nineteenth Century Art (AHNCA) e em 2016, o prémio Fernão Mendes Pinto, da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP). Em 2018, graças à Fundação Calouste Gulbenkian, publicou o livro “O Cavaleiro Brito e o Conde da Barca: dois diplomatas portugueses e a missão francesa de 1816 ao Brasil”.