20 de Fevereiro de 2018
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Aquisições e Doaçoes

Palácio da Ajuda, aguarela de Enrique CasanovaA exposição virtual Aquisições e Doações, homenagem aos mecenas e doadores que connosco têm vindo a colaborar em tão variadas vertentes, vem dar visibilidade a centenas de obras de arte que, ao longo das últimas décadas, completam e enriquecem as coleções da Casa Real, à guarda deste Palácio Nacional.
Pretende-se que este seja um trabalho em progresso, ao qual vão sendo adicionadas peças entretanto adquiridas e/ou doadas, bem como novas informações fruto do trabalho de investigação que se realiza no palácio . Para já, deu-se especial enfoque às peças que outrora pertenceram à Casa Real, tais como jóias, peças de ourivesaria, móveis, aguarelas, gravuras, cerâmicas, vidros, têxteis, ou ainda objectos do quotidiano da família real.
Fazemos ainda referência às salas que, graças ao mecenato ou patrocínio cultural, têm vindo a ser restauradas.

Lista de Conteúdos

  • Tecto Sala dos ArcheirosO Palácio da Ajuda foi habitado durante 58 anos consecutivos.

    Residência permanente da Família Real desde 1862, o Palácio Nacional da Ajuda adquire uma feição muito própria em relação aos restantes paços régios, já que a utilização destes foi, pelo contrário, intermitente, de acordo com a itinerância praticada pelos monarcas portugueses, desde a Idade Média.
     Essa especificidade traduz-se, no essencial, no “recheio” que contém, herdado, quase na totalidade, do Rei D. Luís, da Rainha D.ª Maria Pia, do Príncipe Real D. Carlos e do Infante D. Afonso, que aqui viveram; a Rainha e o Infante, aliás, até ao dia 5 de Outubro de 1910.
    A musealização do Palácio estava assim facilitada, pois o acervo já existia e a casa estava “montada”, não obstante ter sofrido alterações nos anos 50 e 60, segundo critérios adoptados pelos anteriores conservadores/ directores, alguns dos quais pouco entendíveis aos olhos da prática museológica actual.

    Nos finais dos anos 80 iniciaram-se os trabalhos de reconstituição histórica do Palácio.

    Havia, por isso, que levar a cabo todo um trabalho de reconstituição histórica dos espaços para, na medida do possível, repor tudo como estava no período em que foi habitado por aqueles monarcas e príncipes. Tal tarefa foi iniciada há mais de vinte anos e constituirá por certo, no futuro, um objectivo vital para os que cá trabalharem.

    A memória do Paço da Ajuda não se esgota, porém, nesta segunda metade do século XIX e início do século XX. Ela tem de recuar forçosamente ao primeiro terço da centúria, para incorporar outras personalidades e, portanto, outras vivências. Na verdade, esquecer o Príncipe Regente D. João – depois D. João VI – e a Rainha D.ª Carlota Joaquina seria um acto de flagrante injustiça, já que seria esquecer os verdadeiros patronos do Palácio, sobretudo ele, que o mandou erigir para sua habitação e de sua família.

    A partir das últimas décadas do séc. XX, o Palácio Nacional da Ajuda cultivou uma política vigorosa de aquisições e doações, norteada por critérios definidos a partir da realidade histórica que o envolve, justificados pelo que acima ficou dito. Assim sendo, interessam ao Palácio peças que se relacionem com:
    - O edifício – sua concepção, edificação, decoração e respectiva iconografia;
    - As personalidades envolvidas – patronos, habitantes régios, responsáveis pela obra, artistas e iconografia correspondente;

    As obras de arte que perteceram às colecções da Casa Real têm vindo a ser recuperadas através de acções de mecenato e doações.
    As peças – obras de arte que pertenceram ao Palácio da Ajuda e que nos últimos anos têm vindo a ser recuperadas através da aquisição em leilão, bem como aquelas que de alguma forma se relacionem com ele ou com as pessoas a ele associadas.

  • Profundamente ligada às artes da mesa está também a colecção de cerâmica, que acrescentou ao seu acervo cerca de uma centena de exemplares provenientes da Casa Real, fruto de aquisições do Estado e, pontualmente, de doações institucionais e particulares.

    Foi dada prioridade à recuperação de tipologias inexistentes nas colecções públicas e, depois, à recuperação do maior número possível de peças pertencentes outrora aos extensos serviços da Coroa, tantas quantas o momento económico e as prioridades do museu permitiram. Naturalmente, a importância histórica de alguns exemplares impôs a aquisição continuada de elementos de conjuntos maiores, surgidos no mercado leiloeiro: caso do serviço de Edouard Honoré ou da manufactura de Haviland-Limoges, ambos fornecedores muito apreciados das casas reais no século XIX. No que a Honoré diz respeito, foi possível recuperar parte de um dos raros serviços existentes que reportam ao reinado de D. Maria II mas, sobretudo, representativo de um marco histórico, porque utilizado nas mesas de casamento de D. Luís e D. Maria Pia. A sua aquisição progressiva permite compor uma imagem, ainda que incompleta, daquelas mesas.
    Também o critério iconográfico levou à aquisição de escassas peças, que documentam o recurso a novas técnicas de decoração em cerâmica. É o caso da fotolitografia aplicada no prato comemorativo do noivado de D. Carlos e de D. Amélia de Orléans, e do recurso à fotografia como base da decoração do prato com o busto de D. Luís.

    De um lote de exemplares relevantes do ponto de vista da produção europeia de cerâmica, destacamos a caixa de rapé, fabricada em meados do século XVIII em Meissen. É, sem dúvida, a peça mais importante nas doações que não se incluem na órbita da Casa Real.

  • Acolecção de escultura conheceu a integração, sob a forma de doação, de peças relevantes para o estudo iconográfico da Família Real. Excepção é o busto de D. Pedro V, em gesso, do qual existem escassas representações nos acervos nacionais. A respectiva peça em mármore, assinada por Anatole Calmels, integra a colecção e está exposta na Sala do Despacho.
    É de referir ainda o busto modernista, em mármore, de Maria Romana Fava de Almeida, neta de Duarte José Fava, intendente das Obras Públicas em 1796, data do início da construção do Paço da Ajuda.
    O lote de peças de imaginária, em marfim, executadas entre os séculos XVII e XVIII, nos estilos indo-português e cíngalo-português, provenientes das doações Maria de Lurdes Tavares Monteiro e Américo Barreto, ilustra um importante período da arte colonial portuguesa.
  • A Colecção de Fotografia presta um contributo importante para a História e em particular para a história da família real. Cartão de visita da cultura e sociedade do século XIX, o século que a viu nascer, os exemplares incorporados por via mecenática são de elevado valor histórico.

    Em primeiro lugar, peças contemporâneas dos primórdios da História da Fotografia em Portugal: albuminas da autoria de Wenceslau Cifka, que retratam o rei D. Fernando II e os seus filhos, na juventude. Para além de imagens singulares, duas delas – os retratos das princesas D. Maria Ana e D. Antónia – acumulam a mais valia de estarem assinadas e datadas pelo próprio autor, algo simultaneamente raro e notável.   

    O segundo destaque, graças ao valor iconográfico intrínseco, recai sobre a aquisição de cerca de uma centena de retratos, no formato carte-de-visite, de membros da corte portuguesa à data da chegada de D. Maria Pia a Portugal.

    Realça-se, por último, o álbum da viagem ao Mediterrâneo, obra que eterniza a viagem empreendida pela Família Real entre Fevereiro e Maio de 1903, e respectivas excursões a Gibraltar, Cádis, Cartago, Tunis, Malta, Egipto e Pompeia, Capri e Nápoles, no Sul de Itália. Inclui 236 fotografias, tiradas pelas próprias pessoas reais e comitiva – nomeadamente Enrique Casanova –, com composição e legendagem da autoria da rainha D. Amélia, nisso simultaneamente expondo um dos hobbies do pelouro feminino tão característico da centúria: a realização de álbuns fotográficos.   

  • A Escola. D. Fernando II, Aquisição IPPARIgualmente importantes foram as aquisições e doações para a colecção de gravura. A compra de duas peças representando o Palácio e sua envolvente foi fundamental para o estudo do monumento e das características urbanísticas da zona, como por exemplo a ilustração de vários quintais e de construções rústicas do casario próximo.

    Em relação à iconografia real, salientam-se duas gravuras retratando a rainha D.ª Maria II – a primeira enquanto adolescente; a segunda já acompanhada pelo príncipe herdeiro, futuro rei D. Pedro V. E da autoria do monarca seu pai, D. Fernando II, veio enriquecer o espólio aqui existente um lote de águas-fortes, da década de 1850.

    Gravuras de vários membros da aristocracia e da política da época vieram engrossar o acervo da colecção, como a do duque de Palmela, a do marquês de Saldanha, a do conde de Tomar, a de Passos Manuel e a de António Augusto de Aguiar.

    Por fim, distingue-se a incorporação de peças impares: duas matrizes de xilogravura retratando D. Luís e D.ª Maria Pia, e uma prova em lacre das armas da mesma soberana.

  • Alfinete de Peito, Aquisição IPPAR As jóias que incorporaram a colecção de joalharia, por aquisição ou doação, constituem um lote relativamente reduzido mas, em contrapartida, extremamente significativo para o acervo, quer pela riqueza dos materiais e qualidade de execução, quer pela importância histórica. São, na grande maioria, jóias que outrora pertenceram às colecções da Casa Real, intimamente ligadas a alguns soberanos e portadoras de um forte valor simbólico.

    Merece destaque, pela sua raridade e inquestionável qualidade, a aparatosa laça de rubis e diamantes, de meados do século XVIII, que terá pertencido a D. Mariana Vitória de Bourbon, mulher de D. José. Pelas mesmas razões salientam-se um par de anéis de ouro e diamantes, com miniaturas representando os príncipes D. João e D. Carlota Joaquina.

    A aliança de casamento da rainha D. Maria Pia é, na sua aparente simplicidade, uma peça emblemática no seio deste núcleo, bem como o alfinete de peito, cravejado de diamantes e pérolas, que lhe foi oferecido pelo pai, Vitor Manuel II, por ocasião do seu casamento com o rei D. Luís, em 1862.

    Merecedor de referência é ainda o relógio cronógrafo de bolso, em ouro e esmaltes, que a rainha D. Maria Pia ofereceu em 1905 ao médico da Casa Real, Gama Pinto, gravado com a assinatura fac-similada da própria soberana.

  • Paliterira, Doação Américo Barreto 2002A Colecção de Ourivesaria foi extraordinariamente enriquecida pelas aquisições e doações, distinguindo-se claramente dois grupos principais de objectos: o das peças outrora pertencentes à Casa Real, associadas aos gostos e vivências das suas personagens, e o dos bens de proveniência diversificada mas que, apesar disso, constituem um importante complemento para o universo das tipologias existentes.

    Do primeiro grupo destacam-se objectos de elevado valor histórico e artístico que, em muitos casos, vieram reintegrar os seus conjuntos originais. Disso são exemplos o lote de doze garfos de mesa, pertencentes a um faqueiro com o monograma de D. Pedro V; o par de molheiras com o monograma da rainha D. Maria II; ou ainda algumas importantes peças de um vasto serviço de toilette de D. Luís. Estas e muitas outras obras de grande qualidade foram resgatadas para a colecção do museu no importante leilão dos bens de D. Manuel II, realizado em 1992.

    No que respeita ao segundo grupo, relevam-se dois exemplares da produção nacional setecentista: uma escrivaninha e um par de castiçais de saia. Ainda neste contexto, devem distinguir-se, entre outras, as doações Américo Barreto e Maria de Lurdes Tavares Monteiro.

  • A colecção de pintura foi das mais beneficiadas com a política de doações e aquisições, as quais constituem cerca de 6% da totalidade do seu acervo.

    A primeira aquisição, feita em 1987, foi uma pequena composição de desenhos de D. Carlos, representando marinhas e paisagens, que marcou o início da incorporação de obras executadas por membros da Casa Real. Com a aproximação do centenário da morte do rei D. Luís (1989), fez-se a aquisição de uma peça emblemática, da autoria do monarca: o “Álbum de Caricaturas”, onde representou muitas das personalidades da sociedade portuguesa do seu tempo. Herdado por D. Carlos e mantido nas Necessidades, foi enviado a D. Manuel II após a implantação da República, ficando, por sua morte, para a viúva D.ª Augusta Vitória de Hohenzollern e depois para os seus herdeiros, que o leiloaram. Esta é, aliás, a origem de grande parte dos bens que o Palácio foi adquirindo ao longo da década de 1990.  

    O “Álbum de Aguarelas de Enrique Casanova”, incorporado no mesmo ano, constituído por 19 pinturas que retratam interiores dos Paços Reais da Ajuda, Sintra e Cidadela de Cascais, veio a tornar-se outra obra de referência para esta Casa, que as utiliza como principal fonte iconográfica nos trabalhos de reconstituição histórica. São ainda deste autor as aguarelas do “Quarto de D. Afonso”, que revela como era esse espaço em 1886, e a “Fachada do Palácio da Ajuda”, adquirida num leilão em Inglaterra, de valor iconográfico incontestável.

    Ainda no âmbito da iconografia do edifício, encerra particular interesse a “Vista do Tejo com o Palácio da Ajuda”, da antiga colecção de Merícia de Lemos.

    O Palácio está ainda representado em duas aguarelas – a “Fachada Sul do Paço da Ajuda” e a “Fachada Nascente do Paço da Ajuda”. Esta, da autoria provável de Fabri, deverá ter integrado o processo do projecto do edifício.

    Directamente relacionada com a decoração dos interiores, entraram na colecção dois estudos a óleo para a tela retabular da Capela Térrea, da autoria de Veloso Salgado, e oito desenhos aguarelados – obras preparatórias para as pinturas do tecto da Sala Rosa, executadas por Cinatti e Rambois.

    Da iconografia real, destaca-se o “Retrato de D. João VI”, óleo da autoria de Albertus Gregorius, posterior a 1816, e duas pinturas de Layraud – “Retrato de D. Carlos e D. Afonso” e “Retrato de D.ª Maria Pia” –, relacionadas com o emblemático quadro “A Família Real Portuguesa em Queluz”, executado pelo mesmo autor em 1876 e exposto na Sala Verde.

    O valor intrínseco das obras associadas ao edifício ou aos seus ocupantes justificou o ingresso de três peças singulares, a “Stall Plate”, placa de cadeiral que indicava o lugar de D. João VI na Capela de S. Jorge, em Windsor, após a investidura do monarca na Ordem da Jarreteira; o óleo sobre cobre “Cristo com a Cruz”, que pertencera outrora às colecções reais; e a tela “Pombos num camarote”, pintada por Casanova em 1890, que a ofereceu ao infante D. Afonso e que, ainda em 1910, decorava a parede norte do seu quarto.

    Por fim, menciona-se a incorporação de um conjunto de pinturas da autoria de Jacinto Luís (1994), Luís Pinto Coelho (1996), Luís Cohen Fusé (2004), Guilherme Parente (2006), Helena Liz (2009), Luís Leite (2010) e Jaime Silva (2011), executadas no âmbito das exposições “Um Olhar sobre o Palácio”, iniciadas em 1994.

  • As colecções de têxteis e de traje têm sido acrescentadas através de doações de particulares e de aquisições em leilão.  
    Tem justificado relevo a almofada em seda bordada a pérolas e a ouro, com as armas de D. Maria Pia, cuja ligação ao seu casamento com D. Luís é bastante plausível. Foi uma peça recuperada num leilão de bens dos herdeiros do príncipe de Wurttenberg.
    De idêntica proveniência é o tapete de nó que, no princípio do século XX, decorava a residência de D. Manuel II, em Fulwell Park.
    Realçam-se igualmente alguns acessórios de traje, de cariz pessoal: uma écharpe que pertenceu à rainha D. Maria Pia, bem como os lenços e os leques com as suas armas e/ou monograma. Alguns dos leques constituem peças artísticas de reputados fabricantes europeus e estão assinados por pintores como Artur Mélida, Duvelleroy e Cecile Chennevière.
    Um último destaque vai para duas aparatosas peças – um manto com as armas de aliança das Casas de Sabugosa e Murça, que pertenceu à 4ª Condessa de Murça, dama das rainhas D. Maria Pia e D. Amélia, e uma casaca e colete do uniforme de mordomo-mor, que pertenceu ao seu marido, o 9º conde de Sabugosa.

  • Na selecção efectuada de entre as peças de vidro recém-incorporadas, optou-se por objectos e conjuntos historicamente relevantes. Um raro copo com as armas de D. João V, copos com o monograma da rainha D. Carlota Joaquina, e os serviços de mesa com as iniciais «PP» e «LL». O serviço designado por «PP» começou a ser adquirido por D. Pedro V à Fábrica de Porcelanas e Cristais Rihouet, Lerosey, de França, por ocasião do seu casamento com D. Estefânia, em 1858. Esta encomenda englobava um serviço de mesa completo, com peças de prata, loiça e vidro. A partir de 1863, o rei D. Luís deu continuidade ao serviço, encomendando novas tipologias e uma maior quantidade de peças dos modelos existentes, mas agora com o seu monograma. Em 1910, estas peças, que se encontravam no Palácio das Necessidades, integraram os bens enviados para D. Manuel II, exilado em Inglaterra, tendo sido mais tarde vendidas em leilão.

    Finalmente, a incorporação na colecção de peças da doação Américo Barreto justifica-se pela qualidade das suas obras, destacando-se os objectos de mesa do século XVIII, da Real Fábrica La Granja, em Espanha, criada sob o patronato régio de Filipe V e Isabel Farnésio.  

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